domingo, 29 de março de 2015
Oferenda
Mais um ano passa
E a última fatia levada...
Como o pão na hora chegada
A ti ofereço-me numa taça.
Tens o que sobeja de mim
Nesta rebordosa vida
Que por demais querida
Exala um quê de serafim?
sábado, 28 de março de 2015
Guarda compartilhada
Já estava na hora...
que venha sem demora...
para dividir o reinado...
já bastante antiquado
das mães superpoderosas
que ora hão de compartilhar
a guarda dos filhos...
com os tão sofridos pais.
sexta-feira, 27 de março de 2015
Tarde escura
Hoje estou triste,
meu sorriso converteu-se em lágrimas...
preciso tanto de um amigo
que me dê um aconchego, e me entenda
sentindo o frio da espinha...
gélida como o pico do Aconcágua !
Desatino
Efemeramente consumou-se,
duas fotos, algumas palavras...
meu coração do ouro ao bronze
em retalhos tornara-se.
Sangrando sorvo a tarde fria
salgando o chão que bem não piso.
Convidava-me quando sorria
sozinho estou e lhe preciso.
A saudade é tanta, não imagina
como dói a sua ausência...
procuro-a em minhas oficinas
onde moem-se
os cacos das reminiscências.
Nossos mundos unidos pressinto,
em suas passarelas só ela brilha.
Dos meus segundos não minto,
no meu desatino tratei-a por filha.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Poema da emulação
_ O óleo mistura-se com a água?
Como o teu e o meu espírito...
Creio ser meio difícil,
pois tu és budista, quiçá umbandista
e eu veralista, se é que existe, mas,
tudo bem, vamos lá ver a lista dos
que são realistas, sendo assim...
otimistas, mais que isso até,
diria, então, surrealistas,
positivistas, cristãos !!!
quarta-feira, 25 de março de 2015
Ausência
Filhinho,
Papai te ama
E por ti inflamaria-se
Como
Elias
Num
Re
de
mo
i
nho.
Procuro as trevas
As noites escuras
Diluindo-me em músicas
Que enlevam.
Já não acredito em Papai Noel
Pois que tomou
O meu presente
E ri de mim
De ti ausente
Em suas renas
No ciano céu.
Lembranças vêm
E não se vão...
Torturam-me o coração
A ruptura fez solidão
Onde alegrava
Linda criança.
domingo, 22 de março de 2015
Auto-retrato
Sou o A do mar
Que o luar prateia
Estou na união
Não mera luz, candeia.
Quando conduzo-me
Reduzo-me a pó de areia
E o que um dia foi nascente
Hoje tange, só margeia.
Preciso dizer-lhe, porém protelo,
Pois meu castelo não é de teia,
Que me golpeia se não é sincero
O elo que de mim granjeia.
Nas profundezas dos meus anos
Se me engano canta uma sereia
Que me encanta com seus gestos
E as arestas do meu existir floreia.
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